O encerramento da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do LimpaGyn deixa um sentimento difícil de ignorar. Foi mais uma oportunidade perdida de entregar respostas concretas à população de Goiânia. A CEI cumpriu rigorosamente os 120 dias regimentais, mas termina sem soluções objetivas, sem encaminhamentos estruturais e sem propostas capazes de corrigir os problemas identificados. Infelizmente, o resultado é o que o cidadão já se acostumou a ver: mais uma investigação que termina em pizza.

Desde o início, a CEI nasceu com um propósito legítimo: investigar um contrato bilionário da gestão passada, de um serviço essencial para a cidade – como o da limpeza urbana. E isso não é um detalhe administrativo, mas uma obrigação do Legislativo, no seu papel de fiscalização. No entanto, ao final dos trabalhos, não houve sugestão de revisão contratual, não se discutiu a redução de valores, não se propôs o aumento ou readequação dos serviços, não houve comparação técnica com contratos semelhantes em outras cidades e, talvez o mais grave, não se enfrentou com a seriedade necessária a natureza jurídica de um contrato firmado em caráter emergencial, sem licitação.

Estamos falando de um serviço essencial, que impacta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e a qualidade de vida da população. Falhas pontuais na prestação do serviço persistem. Encerrar uma CEI nessas condições é aceitar que apontamentos genéricos substituam decisões, e que relatórios protocolares ocupem o lugar de resultados concretos.

Tenho defendido, ao longo de todo esse processo, que a função de uma CEI não é apenas ouvir, registrar e arquivar. É cobrar performance, ser propositiva e entregar algo palpável à sociedade. A Câmara Municipal não pode se contentar em cumprir tabela. Precisamos sair das comissões com propostas claras, recomendações firmes e encaminhamentos que produzam mudanças reais.

Infelizmente, essa foi mais uma ação que não deu em nada. Ela nasceu com o intuito de ser boa, de ajudar a cidade, mas acaba de forma melancólica. Cobrei muito posições claras e providências concretas de todos os sete membros titulares. Essa cobrança não é pessoal, é institucional. É uma cobrança em nome de quem paga impostos e espera seriedade.

A repetição desse padrão – CEIs longas, complexas e com baixo impacto prático – enfraquece o papel fiscalizador do Legislativo e aumenta a descrença da população na política. Goiânia merece mais do que diagnósticos incompletos. Merece decisões, coragem e responsabilidade.

Fiscalizar não é um ato simbólico. É um compromisso com resultados, é um dever expresso na Constituição, que precisa ser exercido de fato. E é isso que continuarei cobrando.

 

Artigo de Opinião publicado no O Popular em 01/01/2026

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