Quando iniciei o debate sobre a cannabis medicinal em 2017, durante meu primeiro mandato, sabia que não seria uma pauta simples. Enfrentei preconceitos, estigmas e desinformação. Mas também sabia que era uma causa necessária, porque estamos falando de saúde, dignidade e oportunidade para milhares de famílias que dependem desses medicamentos para viver com qualidade.
Hoje, Goiânia já é referência nesse debate, com cinco leis aprovadas, e me orgulho de termos colocado nossa cidade na vanguarda de uma discussão que, cedo ou tarde, o Brasil precisará encarar de forma madura.
Defendo com convicção a liberação do cultivo da cannabis medicinal e do cânhamo. Essa é a chave para democratizar o acesso, garantindo que quem precisa não fique refém de preços abusivos, que hoje chegam a até R$ 3 mil por frasco de óleo importado. Com o plantio nacional, podemos baratear os custos, tornar o tratamento acessível e inclusivo, independente da classe social de quem precisa.
Mas o debate não se restringe apenas à saúde. A cannabis medicinal e o cânhamo carregam um potencial econômico gigantesco, capaz de transformar a realidade do nosso país e, especialmente, do nosso Estado de Goiás. Temos solo fértil, clima favorável e uma tradição que nos coloca em posição estratégica para liderar esse mercado. Se a soja nos projetou mundialmente, por que não vislumbrar a cannabis como a próxima grande potência
agrícola?
Estamos falando de ganhos bilionários. A industrialização do cânhamo abre portas para inovação, sustentabilidade e produtividade. Da fibra, podemos produzir roupas, tecidos, bioplásticos e até materiais de construção. Na medicina, novas pesquisas e medicamentos surgirão, impulsionando nossa tão importante indústria farmacêutica e, consequentemente, reduzindo preços. Esse é um ciclo virtuoso que gera empregos, renda e oportunidades em larga escala.
Temos tudo para ser a maior produção do mundo. Podemos superar bilhões em movimentação econômica e gerar milhares de empregos. Não é exagero, e sim uma possibilidade concreta se tivermos coragem política e visão de futuro para superar preconceitos e avançar.
A cannabis medicinal não é apenas uma pauta de saúde pública. É também uma pauta de desenvolvimento social, econômico e ambiental. Acredito que chegou a hora de plantar essa semente no Brasil, colher os frutos e dividir os benefícios com toda a população.
Essa luta começou em 2017 e continua muito firme. Goiânia foi precursora e seguirá sendo referência. O que defendo é simples, mas muito eficiente: a conexão entre ciência, oportunidade e dignidade.
Porque, no fim das contas, a cannabis pode – deve – mudar a nossa realidade.