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O escritor, advogado e político brasileiro Rui Barbosa acreditava que a igualdade existe quando os desiguais são tratados desigualmente.

O lema é compreensível quando entendemos que as necessidades de cada um devem ser atendidas de acordo com sua proporcionalidade. Contudo, não é o que se observa hoje na destinação das emendas impositivas dos deputados estaduais de Goiás.

A Região Metropolitana de Goiânia, que concentra a maior parcela da população e seus problemas estruturais, encontra-se proporcionalmente prejudicada nos valores das emendas propostas nas Leis Orçamentárias Anuais (LOAs) que foram pagas entre os anos de 2023 e 2024.

A região conta com 2,6 milhões de habitantes e concentra cerca de 37% da população de todo o Estado, mas recebeu apenas 20,2% de todos os R$ 866 milhões que foram empenhados durante o período. Esta fatia é menor do que o percentual que Goiânia representa sozinha.

A Capital, com seus 1,5 milhão de habitantes, representa 20,3% da população do Estado. Sabe quanto recebemos? Apenas R$ 51,8 milhões, que representam apenas 6%, conforme dados do Portal da Transparência.

Os dados preliminares de 2026 não são diferentes: os números mostram que até o dia 11 de junho, os recursos pagos até a data eram de R$ 18,2 milhões. Os números evidenciam que há uma sub-representatividade na região.

É impossível não relacionar essa desproporção com a representação desses municípios em cadeiras da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Dos 41 deputados estaduais, hoje, apenas nove são da capital, dois são de Trindade, um é de Aparecida e um é de Senador Canedo.

Por isso, é importante mostrar à população a relevância de buscar representantes nas casas legislativas que tenham origem na Região Metropolitana.

Os dados evidenciam uma ausência de interesse dos parlamentares em investir nos municípios que integram a parte mais populosa do estado. É necessário que os deputados se comprometam com os grandes desafios e necessidades de Goiás, que estão mais concentrados nessas cidades.

A saúde e a educação apresentam suas maiores demandas nessas cidades. Por isso, as emendas dos deputados de Goiânia e região precisam chegar aos municípios para ajudar as prefeituras no que é prioridade. É com esses recursos que investimentos importantes poderão ser feitos nessas áreas.

O orçamento precisa ser aplicado na cidade, para resolver as questões dos problemas de saúde, educação, mobilidade, infraestrutura e urbanização. A região cresceu em termos geográficos e populacionais e os investimentos precisam acompanhar a demanda por mais políticas públicas. Não adianta o deputado ganhar a eleição com votos dessa população se prefere investir em cidades menores, por puro vínculo eleitoral.

Precisamos de defensores que invistam onde estão os maiores problemas. O geógrafo Milton Santos já defendia que a desigualdade não está apenas nos indivíduos, mas no espaço em que vivem.

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